A FALSA IMAGEM

A desinformação generalizada, que persiste em todas as camadas sociais sobre o alcoolismo como doença gera problemas tão diversos e idéias tão descabidas, que seria difícil enumerar.
Quase que por opinião unânime das pessoas, alcoólatra é apenas o mendigo esfarrapado e o sujo que perambula pelas ruas, trôpego e amedrontador, vítima de males morais, com falta de vergonha, fraqueza, nenhuma força de vontade, preguiça, etc. Nada mais falso e pernicioso.
Primeiramente, alcoólatra não é apenas o mendigo que chegou ao fundo do poço da degradação humana. O alcoolismo, como doença, caracteriza-se por sua progressividade.
O mendigo está na última etapa de evolução do processo destrutivo do alcoolismo. Acima dele, um número infelizmente muito grande de desavisados alcoólatras segue o mesmo processo de degeneração, julgando-se a salvo atrás do conforto de seus empregos, de suas famílias, de suas posses
Em segundo lugar, partindo-se da certeza já estabelecida pela ciência médica de que alcoolismo é uma doença, e doença progressiva, o mendigo não chegou ao seu triste estado por falta de vergonha, fraqueza ou preguiça de enfrentar um trabalho: ele é doente, vítima de condições psicológicas e orgânicas que ele não consegue dominar sem auxilio sistemático e apropriado.
É preciso desvincular-se a imagem de alcoólatra da imagem do mendigo. É preciso aceitar-se o alcoolismo como uma doença que deve ser tratada e não como um vergonhoso estigma que o doente nega, a família esconde e a sociedade repudia.
                                                                        (AutorDesconhecido)